quinta-feira, 28 de abril de 2011

Apenas mais uma lombra qualquer



Francamente quanto mais olho em volta, mas descrente me sinto. Um mundo de dualidades. Amigos sorriem enquanto ao mesmo tempo te apunhalam pelas costas, e o preço de um cigarro somente sobe. E divertido sair na rua a noite como quem não quer nada, eu realmente não quero nada nessas horas. Vejo um casal conversar sobre caridade, a velha caridade cretina que se esconde sob um sorriso falso dos crentes, que ao me verem passar por eles, me lançam expressões de desagrado. Tudo bem eu já sei lidar com essas expressões, quem dera eles poderem ler as entrelinhas do meu sorriso bobo. As vezes gosto de relembrar o passado, não para me sentir feliz ou coisa do tipo porque afinal, o passado nunca e feliz. Lembrar de algo que foi feliz em uma época mais infeliz só te deixa mais derrubado. Eu to sempre derrubado. Não gosto de elogios sinceros, sinceridade não existe. Elogios até fazem bem e eu nunca estou bem também. Se não entendeu nada disso e porque eu raramente faço sentido. Não preciso fazer sentido e assim, sem sentido algum, sigo pelo caminho dos tijolos amarelos da loucura infantil como tantos antes de mim. Alguém aqui lembra do Raul?

descrente

Significado de Descrente

adj. e s.m. e s.f. Que ou aquele que não crê; céptico, pessimista.
Que ou aquele que não tem fé; ateu, agnóstico.

Sinônimos de Descrente

Definição de Descrente

Classe gramatical de descrente: Substantivo feminino, Substantivo masculino e Adjetivo
Separação das sílabas de descrente: des-cren-te
Possui 9 letras
Possui a vogal: e
Possui as consoantes: c d n r s t
Descrente escrita ao contrário: etnercsed


terça-feira, 19 de abril de 2011

A forca


        O vento uivava ao longo do escuro vale, e o som que fazia era como o de uma multidão de condenados, que desesperados, imploravam clemência de um criador surdo aos seus apelos. Há tempos, naquele vale amaldiçoado não caminhava viva alma, apenas sombras estranhas e densas que tinham vida própria, e outros horrores que são impossíveis para a mente humana imaginar, tentativas vãs de imaginar os horrores que ali habitam, transformam doutores da ciência em seres vegetativos.

        Segundo velhos ditados, os quais cresci ouvindo, um homem já se aventurou naquela região inóspita e traiçoeira. Anos depois descobri que não se tratava de um homem, era sim uma linda jovem de nome Vanessa, filha de um rico comerciante local. Tudo que sei sobre esta trágica jovem e que apesar de toda a riqueza que possuía, não tinha motivos suficientes para viver. O porque? O mal do nosso século, coração partido. Conto a seguir os relatos como ouvi das diversas bocas da minha vila, e algumas considerações que eu mesmo fiz, procurando juntar os fatos que faltavam na lenda.

         Menina bem educada e prendada viveu a maior parte da vida num internato. As Filhas de Maria era conhecido como um internato dos mais rigorosos da época, nada sei sobre sua estadia lá, mas com certeza, não foi das melhores. Quando retornou ao seio da família na velha casa dos Lopes, era uma moça muito bonita, o que logo chamou a atenção dos solteiros da região. Embora lutassem entre si pelo coração da moça, um simples camponês de nome Adolfo, ganhou com a sua famosa amabilidade e sinceridade o coração da moça.

         Filha de um barão por demais preconceituoso, Vanessa teve seu amor tirado bruscamente. Seu pai mandou matar o jovem de forma cruel, e no dia seguinte expôs sua cabeça decepada na entrada da sua luxuosa mansão. Dizem que Vanessa ficou ali, sentada observando a cabeça morta se decompor aos poucos durante vários dias, pouco comia e nem sequer sorria. Seu velho pai, julgando ser apenas um capricho de adolescente, nem sequer se importou e assim ficou até ser informado do desaparecimento dela pela governanta aflita, que foi chicoteada até a morte pelo descuido.

          Depois de dias de buscas encontraram seu corpo, com uma corda no pescoço, pendurada em um velho carvalho do bosque maldito. Os lacaios nunca esqueceriam a visão que tiveram do seu semblante morto, segundo um amigo do peito seu avô que era um deles, até hoje sonha com aquele dia. Eles retiraram o corpo da jovem e o entregaram a um desolado barão, que chorava desconsolado. O que houve depois ainda é um mistério, eu mesmo não consigo explicar e toda vez que penso sobre isso, sinto minha sanidade me abandonar aos poucos. Tudo que sei, e que todos sabemos e que preferem que assim tenha acontecido, e que os habitantes da mansão sumiram em questão de dias. As pessoas preferem pensar que foram embora dessa terra por causa da vergonha, mas eu e apenas eu sei a verdade, eu sei o motivo do bosque hoje ser amaldiçoado.

     Por quê eu sei? É porquê daqui da minha varanda, sentado na velha cadeira de balanço de carvalho, que foi da minha avó, enquanto escrevo essas palavras, posso ver no horizonte banhando pelo luar o vulto esquivo de uma jovem segurando a cabeça de seu amado pensativa...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Joey Ramone, dez anos de saudades!


Joey Ramone, nome artístico de Jeffrey Ross Hyman (19 de maio de 195115 de abril de 2001) foi um vocalista norte-americano e letrista, sendo seu trabalho mais conhecido a banda de punk rock Ramones. Junto com seu companheiro de banda Johnny Ramone (John Cummings), foram os únicos membros que permaneceram desde o início da banda até o fim 1996. Joey tinha 2,02 m de altura, sendo o mais alto dos Ramones.
Hyman cresceu em Forest Hills, no Queens, em uma comunidade de judeus. Teve uma vida vida bastante conturbada, o que inspirou o som "We're A Happy Family", do álbum Rocket to Russia. Seus pais se divorciaram no começo de 1960. Sua mãe, Charlotte Lesher (1926-2007), encorajou um interesse na música em ambos os filhos: Joey e seu irmão mais novo Mitchell (que atende pelo pseudônimo de Mickey Leigh).
Leigh (irmão de Joey) cita no DVD End of the Century: The Story of the Ramones que Joey tinha TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e que ele era considerado esquisito e solitário. Joey diz no mesmo DVD que a música salvou sua vida e seu irmão diz que ele se sentia bem e que ele era diferente ao cantar e que aquilo era um incentivo para ele deixar suas inseguranças e sua timidez de lado.
Joey morreu de linfoma em 15 de abril de 2001, no Presbyterian Hospital da cidade de Nova Iorque. Ele aparentemente conviveu com linfoma durante cerca de 4 anos, já que ele foi examinado numa clínica especializada em câncer em meados dos anos 1990.
O músico tem um álbum solo(postumo) que foi lançado em 2002 um ano após a sua morte, e ano também que o Ramones entrou para o Rock and Roll Hall of Fame este álbum contém a regravação de "What a Wonderful World"; o álbum foi intitulado "Don't Worry About Me".
E o seu segundo álbum foi lançado em (2007).
Joey Ramone é considerado o Ramone favorito entre os fãs e em seguida, Dee Dee Ramone.

Costumo



Costumo falar sobre coisas que ninguém quer ouvir
costumo cantarolar canções sem sentido
costumo beber até não me aguentar em pé
costumo andar sozinho a noite entre vielas pouco iluminadas
costumo fumar baganas que encontro no chão
costumo delirar sozinho no meu quarto
costumo sonhar que estou apaixonado
costumo estudar algum livro importante
costumo me masturbar em banheiros públicos
costumo me pegar sorrindo a toa quando não tenho motivos para sorrir
costumo pensar que ainda há saída em labirintos sem fim
costumo me perguntar as vezes “e se tudo tivesse sido diferente?”
Costumo escrever sobre coisas confusas
costumo não fazer sentido algum
costumo brigar e discutir
costumo viver e respirar
costumo sentar numa privada e esperar a morte chegar
costumo sofrer
costumo sorrir as vezes
costumo desistir quando quero
costumo lutar quando preciso
costumo votar para prefeito
costumo ver um bom filme
costumo ver filmes ruins e me entediar
só acho difícil me acostumar
com um fato simples que as pessoas costumam não notar
Mas todos sentem e as vezes se aborrecem com isso
Costumo mesmo me aborrecer com o fato de que o amanha nunca chegará

segunda-feira, 11 de abril de 2011


Ontem a noite sonhei que estava morto,
durante a tarde eu desejei estar morto,
porém agora a noite eu percebi,
que morto eu sempre estive.

sábado, 9 de abril de 2011

Vingança



Com sua vil blasfêmia
Mais um toque de funesta irreverência
Jogou-me sem dó ou piedade
Satisfeito então com a própria maldade
Naquele escuro poço de dor
Porém aquele que nas trevas
Foi obrigado a rastejar
Agora com os vermes aprende a caminhar
E logo sendo o vencedor
Estará sobre a sua tumba a festejar
Ele e o podre verme
Que um dia te apavorou
Na sua carniça “popular”
Estarão finalmente então a se banquetear.

Um copo cheio numa mesa de bar


Jimmy Maluco sentava sempre naquele mesmo lugar,
Um copo de uísque barato,
Tudo que um vagabundo precisa.
Engraçado como um bom trago
Salva mais almas que um confessionário.
E o pároco da vila
Também estava ali com seu copo.
Ontem Jimmy  perdeu tudo que tinha,
nessa mesma mesa de bar.
Maldito baralho viciado mas não há porque se preocupar,
Ontem foi ontem,
E hoje o que importa e pedir pro garçom outro trago trazer,
E como pagar?
Que importa pagar, porque pagar pelos sonhos?
Anda logo garçom esta atrasado,
O meu copo esta seco e meu bolso vazio,
O tambor carregado da arma e a única coisa que o lembra,
Que não há necessidade de pagar,
Vamos hoje beber e amanha morrer,
Afinal pensa Jimmy Maluco com seu trabuco preso no cinto,
O que mais importa além de um copo cheio numa mesa de bar?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A puta e o vagabundo


É engraçado como quando as coisas fodem de vez a vida começa a fazer sentido. De
uma hora para a outra tudo pode dar errado, e quando estamos no fundo da latrina sentindo
pena da nossa própria incompetência as coisas começam a fazer sentido de uma forma ou
de outra. Foi num estado lamentável que deixei minha casa naquela madrugada. Na
verdade, fui obrigado a isso pela vaca da minha esposa. Enquanto eu saia porta afora
daquele cortiço imundo vestindo meu habitual terno barato e a mascara da embriaguez,
ouvia os gritos intermináveis da megera alucinada que do segundo andar jurava que ia
matar o filho no ventre. Então eu pensei; “Que seja, aposto que nem é meu o pivete! Ela
pensa que não escuto os comentários dos vizinhos... pensando bem, sempre tive essa
postura perante a vida de vitima.”
Então as coisas começaram a fazer sentido para mim. Larguei a velha pasta que
trazia a mão enquanto descia o beco em direção à rua principal em uma lata qualquer. E
então corri, não para qualquer lugar e sim, para onde todos os indivíduos do sexo masculino
encontram abrigo em horas avançadas da noite. Onde podemos ser apenas nós mesmos, não
pai de família, diretor, padre, policial ou o que for. O local onde seu desespero some por
um preço, porém o que são alguns trocados suados ganhos depois de um dia inteiro
trabalhando em algum lugar de merda perto da leveza do ser? Eu corri para um puteiro!
Neste paraíso não havia um palácio ou algo majestoso assim. Era na realidade um
casarão velho e acabado que cheirava a sexo, fumo e urina. Na entrada fui recebido por
duas belas mulatas das tetas grandes e suculentas. Senti meu pau dar sinal de vida quando o
tocaram com toda aquela malicia. A mais gostosa e safada foi logo perguntando o que eu
queria. Karen, respondi. Ela era a minha favorita. Tinha apenas 1,68 de pura devassidão.
Não era tão espetacular quanto às outras meninas, mas sabia manejar muito bem o
instrumento. Tinha os cabelos avermelhados cortados curtos, uma pele branca como uma
morta ou coisa do tipo. Seus olhos grandes nada faziam para esconder a malicia adquirida
após anos de profissão. E a sua boca, meu deus que boca, era muito hábil e não me refiro ao
habito de falar.
Logo ela surgiu descendo as escadas do segundo andar e com apenas um gesto
simples me obrigou a segui-la até seu quarto. Foi uma tarefa dificil, tive que me esgueirar
entre os bêbados e pervertidos com suas donzelas seminuas no colo. Estavam por todas as
partes. Em cadeiras onde fodiam com vigor mulheres que gemiam como loucas. Estirados
no chão bêbados ou com uma ou outra puta sem calcinha sentada sobre seus rostos
esfregando a vagina nos mesmos. Fazendo sexo loucamente em cima do balcão onde uma
outra puta brincava com as tetas rosadas da atendente. Era uma visão sem igual, algo tão
maravilhoso que faria o papa largar a batina e se masturbar em um banheiro qualquer com
espuma saindo pela boca.
Finalmente cheguei no seu quarto. Ela já estava toda a vontade com aquela coisinha
suculenta entre as pernas abertas na minha direção provocante. Aquilo era uma visão! Senti
minha calça rasgar sob a tensão e pulei sobre a puta no colchão. Fudemos a noite inteirinha.
Por toda a noite a tive gemendo em meus braços, dando luz as minhas mais baixas e torpes
fantasias eróticas. No final este é o sentido de tudo, fuder. Fuder somente e muito. Palavras
bonitas, roupas caras, carros luxuosos e até o próprio e degenerado sistema tem esse mesmo
objetivo, fuder com você.
Quando o sol raiou voltei para o velho cortiço onde habitava. Sem dinheiro e sem
paciência entrei em casa com uma resolução profunda derivada de uma iluminação mental
em relação ao sentido de tudo. Entrei violentamente porta a dentro com um chute a tempo
de ver o filho da puta suado em cima da vadia da minha mulher. Puxei o revolver de dentro
do paletó amassado e descarreguei a arma sobre a dupla de filhos da puta. Aqui sentado
agora, observando os dois ainda em cima um do outro depois da morte, sorri da tremenda
ironia de tudo isso. Agora já posso ouvir a sirene das rádios patrulhas que vem me pegar e o
murmúrio assustado dos vizinhos. Se me importo em ser preso? Tanto faz já estou fudido
mesmo... Não disse? Tudo sempre acaba em foda!