É engraçado como quando as coisas fodem de vez a vida começa a fazer sentido. De
uma hora para a outra tudo pode dar errado, e quando estamos no fundo da latrina sentindo
pena da nossa própria incompetência as coisas começam a fazer sentido de uma forma ou
de outra. Foi num estado lamentável que deixei minha casa naquela madrugada. Na
verdade, fui obrigado a isso pela vaca da minha esposa. Enquanto eu saia porta afora
daquele cortiço imundo vestindo meu habitual terno barato e a mascara da embriaguez,
ouvia os gritos intermináveis da megera alucinada que do segundo andar jurava que ia
matar o filho no ventre. Então eu pensei; “Que seja, aposto que nem é meu o pivete! Ela
pensa que não escuto os comentários dos vizinhos... pensando bem, sempre tive essa
postura perante a vida de vitima.”
Então as coisas começaram a fazer sentido para mim. Larguei a velha pasta que
trazia a mão enquanto descia o beco em direção à rua principal em uma lata qualquer. E
então corri, não para qualquer lugar e sim, para onde todos os indivíduos do sexo masculino
encontram abrigo em horas avançadas da noite. Onde podemos ser apenas nós mesmos, não
pai de família, diretor, padre, policial ou o que for. O local onde seu desespero some por
um preço, porém o que são alguns trocados suados ganhos depois de um dia inteiro
trabalhando em algum lugar de merda perto da leveza do ser? Eu corri para um puteiro!
Neste paraíso não havia um palácio ou algo majestoso assim. Era na realidade um
casarão velho e acabado que cheirava a sexo, fumo e urina. Na entrada fui recebido por
duas belas mulatas das tetas grandes e suculentas. Senti meu pau dar sinal de vida quando o
tocaram com toda aquela malicia. A mais gostosa e safada foi logo perguntando o que eu
queria. Karen, respondi. Ela era a minha favorita. Tinha apenas 1,68 de pura devassidão.
Não era tão espetacular quanto às outras meninas, mas sabia manejar muito bem o
instrumento. Tinha os cabelos avermelhados cortados curtos, uma pele branca como uma
morta ou coisa do tipo. Seus olhos grandes nada faziam para esconder a malicia adquirida
após anos de profissão. E a sua boca, meu deus que boca, era muito hábil e não me refiro ao
habito de falar.
Logo ela surgiu descendo as escadas do segundo andar e com apenas um gesto
simples me obrigou a segui-la até seu quarto. Foi uma tarefa dificil, tive que me esgueirar
entre os bêbados e pervertidos com suas donzelas seminuas no colo. Estavam por todas as
partes. Em cadeiras onde fodiam com vigor mulheres que gemiam como loucas. Estirados
no chão bêbados ou com uma ou outra puta sem calcinha sentada sobre seus rostos
esfregando a vagina nos mesmos. Fazendo sexo loucamente em cima do balcão onde uma
outra puta brincava com as tetas rosadas da atendente. Era uma visão sem igual, algo tão
maravilhoso que faria o papa largar a batina e se masturbar em um banheiro qualquer com
espuma saindo pela boca.
Finalmente cheguei no seu quarto. Ela já estava toda a vontade com aquela coisinha
suculenta entre as pernas abertas na minha direção provocante. Aquilo era uma visão! Senti
minha calça rasgar sob a tensão e pulei sobre a puta no colchão. Fudemos a noite inteirinha.
Por toda a noite a tive gemendo em meus braços, dando luz as minhas mais baixas e torpes
fantasias eróticas. No final este é o sentido de tudo, fuder. Fuder somente e muito. Palavras
bonitas, roupas caras, carros luxuosos e até o próprio e degenerado sistema tem esse mesmo
objetivo, fuder com você.
Quando o sol raiou voltei para o velho cortiço onde habitava. Sem dinheiro e sem
paciência entrei em casa com uma resolução profunda derivada de uma iluminação mental
em relação ao sentido de tudo. Entrei violentamente porta a dentro com um chute a tempo
de ver o filho da puta suado em cima da vadia da minha mulher. Puxei o revolver de dentro
do paletó amassado e descarreguei a arma sobre a dupla de filhos da puta. Aqui sentado
agora, observando os dois ainda em cima um do outro depois da morte, sorri da tremenda
ironia de tudo isso. Agora já posso ouvir a sirene das rádios patrulhas que vem me pegar e o
murmúrio assustado dos vizinhos. Se me importo em ser preso? Tanto faz já estou fudido
mesmo... Não disse? Tudo sempre acaba em foda!

Nenhum comentário:
Postar um comentário