segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma outra versão de Atlântida - A verdadeira rs


Quando a terra era ainda uma jovem estrela no cosmos infinito. Antes
mesmo de o primeiro ser emitir o seu primeiro ruido. Quando as estrelas
castigavam o solo árido como uma chuva reluzente, erguia-se como um câncer
no seio da terra a primeira cidade. No centro de um mar turbulento era
localizada a primeira grande moradia dos antigos deuses. De proporções
titânicas era a sua beleza como era também igualmente a sua podridão. Uma
cidade de extremos. Com suas galerias e avenidas feitas de um metal que
ainda não existia. Seus prédios colossais de muitos andares e crimes
hediondos. E seus pilares construídos sobre as mais baixas iniqüidades. Seus
habitantes, embora luminosos, eram secos e podres como cadáveres
ambulantes. Em suas festas, que duravam meses, entoavam cânticos profanos
e cometiam orgias intermináveis em honra de seres abomináveis. Seres cuja
simples presença nos dias de hoje aniquilaria toda a vida conhecida. Seus
deuses eram deturpados e pervertidos e tinham nomes ainda hoje conhecidos.
Hecate a prostituta do mais baixo inferno. Akenathon o desaurido portador da
peste das estrelas. Thanaton senhor do inferno profundo. Não era raro ver
sacrificarem seus próprios semelhantes em honra desse e de outros seres da
mais profunda escuridão do infinito entre as estrelas. Porém, um dia e de
forma enigmática, o maldito reino foi engolido pelas águas atormentadas da
jovem terra para todo o sempre. Seus habitantes decaídos sumiram junto com
ela, engolidos pela escuridão juntamente com seus deuses degenerados. E a
terra seguiu seu curso comum de evolução. Mais o mal nunca tem fim, e
dizem alguns especialistas modernos que quando o primeiro homem pisou na
já formada terra, podia ouvir tarde da noite, vindo quem sabe das profundezas
abissais do globo terrestre, a velha e macabra liturgia insana em honra dos
deuses semimortos do passado. E dizem os mesmos especialistas, que desse
dia em diante os seres humanos aprenderam a temer a escuridão asfixiante que
vem do espaço entre as estrelas.

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